Tempo parado
e aquele risco de absorver
um ar irrespirável,
de criar um poema-retrato,
com a intenção definida
de reproduzir a própria imagem.
Aquela vontade de um chàzinho,
um cafèzinho,
um carinho,
com o apôio do friozinho ...
E contar ao papel
o quanto o Planeta é pequeno,
que falta o ar.
Que os sentimentos silenciosos
tornam-se ainda mais eloquentes,
mais arrojados
quando a dor de cabeça implacável
é quase irremediável.
Sensações próprias do outono-inverno
que combina marrom com cinza
em vez do amarelo ensolarado
com azul claro.
Cadê a luminosidade prateada da lua?
Resta adormecer mais cedo
pra recompor-se
e facilitar as manobras
do dia seguinte.
Cumprir os horários de xale
pra prevenir-se dos refriados,
logo depois de ascender o abajour,
bem cedinho.
Fazer uma oração eficiente,
apuradíssima,
em velocidade baixa,
mas com os faróis altos
ao trajeto lento.
Palavras nada rotineiras,
alma além-fronteiras.
Poemas.
Olheiras.
Cecília Fidelli.
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