Sonhamos sempre,
não importa a idade
que se tenha alcançado.
Seguimos sempre,
plenos de expectativas,
carregados daquelas doses
de decepções diárias.
Quanto mais o tempo passa,
mais as aspirações
tornam-se miragens.
Parece que o cosmos
vai ficando mais em ordem
e a idéia de eterno,
vai ficando mais definida.
Aí vem algumas constatações.
Entre elas é que somos todos,
grãozinhos de poeira.
Se na juventude
voávamos como pássaros,
nos tornamos avezinhas,
cheias de recordações
e nostalgias.
Inquietos ainda,
mas só por dentro.
Se formos condenados à solidão,
imenso é o vácuo.
A concepção de luz na velhice,
é como uma lâmpada fraca.
Já os desejos,
as vontades,
continuam transbordantes.
Só que a consciência
almeja a perfeição,
mas a potência do corpo
só tem condições de visualizar
o futuro próximo.
Pràticamente uma inexistência,
sem nenhuma exuberância.
Aquele amor que ficou no passado,
cintila como gota de orvalho
e vai ficar guardado pra sempre
a sete chaves
em seu trono supremo,
lá no fundo do coração,
porém inerte.
Caem lágrimas de dor,
tanto quanto aos poucos
se dispersam.
Na reta final,
tendo provado a fruta
do bem e a fruta do mal,
as águas que rolaram
no rio da vida
não voltam mais ao mar
daquelas lindas poesias
ou canções.
Transformam-se
em fontes adormecidas.
Nós as escravizamos livremente
em nossas mentes.
Sonho é só rebeldia da alma,
ora harmônico,
ora em desarmonia
e aos sonhos
que transcendem horizontes
são comparáveis a uma vela acesa
posicionando-se
na atmosfera divina.
Cecília Fidelli.
- Dizem que a vida
começa aos quarenta.
Nesse caso,
estou
quase chegando nos vinte! |