Era uma vez uma mulher apaixonada que fazia versos sem parar, até na areia da praia. Alimentava o sonho inadequado de ser feliz com seu amado, corações lado a lado ... Sem sofrer, sem chorar. Qualquer sensação era pretexto pra trazer-lhe mais um poema. Qualquer recordação trazia-lhe mais uma lágrima. Mas sentia-se como um pássaro, amante do espaço. Entretanto, tinha consciência de seus vôos incertos, dos sonhos despedaçados que na verdade espalhavam-se como folhas secas de outono, semi-mortas. Mortal, era embalada pelo vento atróz, que dissimuladamente, passava como um vendaval e a deixava no chão. Era principalmente nessas horas que desejava expressar, com a precisão de um relógio, quanto tempo ficava em momentos tão esperançosos, quanto tristes. Sempre tão diferentes e lamentàvelmente tão iguais.
Cecília Fidelli. |
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